A Grande Fuga

Adormecemos e sentimo-lo a formar-se. Começa com um arranhar de garganta, evolui para uma dificuldade em engolir, culmina com a impossibilidade de respirar. O Nó na garganta, é o assunto mal resolvido, a decisão que se tem de tomar, o segredo que é imperativo fechar na gaveta. Tem que ser dissecado. Autopsiado. Visto de todos os ângulos, sujeito a todas as desculpas, previstos todos os “ses”. Quebrar-lhe o mistério tira-lhe o poder.
Há Nós seguros. Formas de atar as pessoas a nós, em Nó laço ou apertado, mais perto ou com mais folga. Os Nós são definidos pelo tipo de relação que mantemos com as pessoas que povoam a nossa vida. Permitem-nos puxá-las quando precisamos. Permitem-nos isolá-las quando não as suportamos. Elas, revoltadas e presas reagem intuitivamente e provocam-nos Nós apertados, na garganta, no estômago e na barriga à medida que desenrolam-se dos seus. Planeamos então a Grande Fuga, o dia Houdinesco em que nos libertamos dos Nós de hoje para nos enrolarmos nos de amanhã.
4 Comments:
A pergunta é se existirá algum Nó a que valha a pena prendermo-nos.
Eu acho que sim, mas costumo estar errada.
Tanta conversa para dizer simplesmente que adoramos os Nós de que normalmente não nos conseguimos livrar. Porque NÃO QUEREMOS! E quando conseguimos, deixam obviamente de ser Nós. Adoro-te. Adoro os teus Nós por serem teus e por entrarem na minha vida porque tu queres. O bom da questão é que os Nós são infindáveis. Há sempre novos, mais ou menos excitantes, mais ou menos toleráveis, mas só enquanto permitimos. Enquanto queremos. E a dona anita tem razão. Só desta vez, claro, mas tem.
Eu cá sou perito a fazer e desfazer nós!!! vai um workshopzinho???? estarei sempre disponivel para si!!!!
Um Workshop de Nós é tão poderoso e perigoso como um livro de auto-ajuda que funcione :0)
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