A Grande Fuga

Adormecemos e sentimo-lo a formar-se. Começa com um arranhar de garganta, evolui para uma dificuldade em engolir, culmina com a impossibilidade de respirar. O Nó na garganta, é o assunto mal resolvido, a decisão que se tem de tomar, o segredo que é imperativo fechar na gaveta. Tem que ser dissecado. Autopsiado. Visto de todos os ângulos, sujeito a todas as desculpas, previstos todos os “ses”. Quebrar-lhe o mistério tira-lhe o poder.
Há Nós seguros. Formas de atar as pessoas a nós, em Nó laço ou apertado, mais perto ou com mais folga. Os Nós são definidos pelo tipo de relação que mantemos com as pessoas que povoam a nossa vida. Permitem-nos puxá-las quando precisamos. Permitem-nos isolá-las quando não as suportamos. Elas, revoltadas e presas reagem intuitivamente e provocam-nos Nós apertados, na garganta, no estômago e na barriga à medida que desenrolam-se dos seus. Planeamos então a Grande Fuga, o dia Houdinesco em que nos libertamos dos Nós de hoje para nos enrolarmos nos de amanhã.